Moda de Negona: Racismo na infância: como lidar?

18 de mai de 2018

Racismo na infância: como lidar?

Salve salve, negada! Essa semana, uma publicação bastante comovente e dolorida nos fez reviver a nossa infância. A empresária Ana Paula Xongani relatou em suas redes sociais uma triste situação racista vivida por sua filha de apenas 04 anos de idade. 


Ao ler o relato de Ana Paula, a gente se vê na pequena Ayo. Porque, infelizmente, o racismo mostrou a sua face para cada uma de nós ainda na infância. Quantas vezes fomos preteridas nas festas juninas? Quantas vezes a nossa cor e nossos traços foram alvos de piadas racistas no colégio? Não foram poucas, eu sei. 

Muitas vezes pensamos no racismo como algo que afeta os adultos, mas ignoramos (ou apagamos da nossa memória por questão de sobrevivência) que ele faz parte da nossa vida desde o começo. E talvez seja nessa fase - que deveria ser uma fase extremamente feliz - que já começamos a lidar com a nossa solidão. Muitas vezes, a solidão é a nossa defesa para lidar com os ataques racistas. 



Para nós, não há possibilidade de resgatar esse tempo. Somos adultos pagadores de contas e o tempo não volta. Mas, temos crianças ao nosso redor. Eu, como madrinha e tia de um monte de crianças lindas (o #ClubinhoDaTiaAnaLu), me vi no dever de fazer alguma coisa para garantir que meus afilhados e sobrinhos tenham uma infância mais feliz e menos racista. 

Eu e João, um dos membros fofos do clubinho
mais gostoso do Brasil, o #ClubinhoDaTiaAnaLu

É importante lembrar que o racismo no Brasil é estrutural e isso garante que ele funcione para quem se beneficia dele. As políticas de embranquecimento que existem desde o começo da nossa história faz com que tudo que esteja relacionado a negritude passe por constantes tentativas de apagamento. Nossas referências de beleza, ascensão social, intelectualidade - dentre outras coisas - são eurocêntricas. Então, já é de se esperar que em um país com um sistema racista,ser negro signifique ser um ato político, de resistência. 

Não é preciso listar aqui os inúmeros malefícios que o racismo causa (baixa autoestima, negação da própria identidade, dificuldade para se relacionar são alguns). Mas, quero deixar aqui algumas iniciativas que podemos (e devemos) ter para garantir que nossas crianças tenham uma infância mais feliz que a nossa. 

1 - Fale sobre as diferenças

Não somos iguais. Esse discurso de igualdade faz com que as particularidades e características étnicas sejam apagadas. Portanto, ao falar com as crianças sobre respeito, fale sobre as diferenças existente entre cada etnia. Isso contribui para que elas entendam o quão diverso é a sociedade que ela vive, além de garantir que ela comunique os pais  e se posicione diante de algum ataque racista - seja com ela ou algum colega. 

2 - Brinquedos e livros: grandes aliados

Uma das formas mais legais de falar sobre as diferenças e a importância do respeito são os brinquedos e livros. Atualmente existem várias coleções de histórias com personagens negros. Bonecas negras também são mais fáceis de serem encontradas em lojas de brinquedos e também na internet (alô, Era uma Vez o Mundo). Seguem algumas dicas de livros para ler com os pequenos:


A história foi escrita por Neusa Baptista Pinto e conta como 3 meninas negras e pobres encaram os ataques racistas que sofrem. A narrativa mostra também como elas aprenderam a se amar e se defender do racismo. 


Aqui, Ana Maria Machado conta a história de uma menina negra que desperta a admiração de um coelho branco que se esforça de todas as maneiras para ser como ela. Te soou familiar? É uma ótima forma de conversar com as crianças sobre autoestima. Tanto os brinquedos quanto as histórias ajudam a construir a identidade étnica das crianças. 

3 - Elogie e ressalte a beleza das crianças

Em um sistema em que a beleza, o sucesso, a intelectualidade e a afetividade estão intimamente atreladas a um padrão eurocêntrico, não deixe de elogiar as crianças negras. Fale o quanto elas são inteligentes, talentosas e bonitas. Dê a elas referências de profissionais negros, pesquisadores negros, artistas negros. A autoestima também é importante para que o racismo não destrua as vidas negras. 

Aos pais: atenção com as atividades escolares e com os livros que a escola dos seus filhos adotam. A própria Ana Paula Xongani relatou que a escola que Ayo estuda adotou um livro que tinha muitas conotações racistas. As denúncias de Ana Paula levaram a autora a retirar o livro de circulação. Lembre-se que eles são crianças e cabe aos adultos tomar atitudes pontuais diante de atividades racistas e preconceituosas. 

O terceiro episódio da websérie "Nossa Voz Ecoa" fala justamente sobre racismo na infância. Assista:


Espero que este conteúdo contribua para que nossas crianças tenham uma infância mais feliz. Que o racismo não destrua a infância de nenhuma criança. 

Até mais, negada!
AnaLu Oliveira

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