2 de jul de 2018

Sobre morar sozinha: dicas e vantagens

Salve salve, negada bacana! Tudo certo por aí? Bora começar o mês de julho falando sobre algo bastante sério e importante: morar sozinha. Lá no insta, já falei sobre como é a minha rotina e sobre os impactos de morar só. Como tudo na vida, morar só tem seus prós e contras. Mas, os prós prevalecem. 



Para mim, essa realidade foi um verdadeiro desafio já que, diferente de muita gente, morar sozinha é fruto de uma separação. Além disso, eu sempre fugi de toda situação que me colocasse em contato comigo. Eu sempre confundi individualidade com solidão (mas isso é coisa que falarei depois). Se você tem vontade de morar sozinha, este post é para te dar o incentivo que você precisa para dar o primeiro passo rumo a casa própria. 



1 - Mudar não é tão simples quanto parece

Se você tem condições de comprar a sua casa através de financiamento, saiba que esse processo é bastante moroso. É preciso uma série de documentos, avaliações e pagamento de taxas. Se você vai alugar um imóvel com imobiliária também vai precisar de disposição para o processo. Normalmente é exigido fiadores, além da análise de crédito. Vale dizer também que não são todos os imóveis que aceitam presença de animais ou crianças. Os imóveis que aceitam animais costumam ser mais caros. Em contrapartida, imóveis que não aceitam animais são mais baratos pois incluem algumas contas no valor do aluguel (água, luz e internet, por exemplo). Uma dica é procurar imóveis que sejam alugados diretamente pelo proprietário. Isso agiliza o andamento do processo. Tenha em mente que você verá muitos imóveis até encontrar um que te atenda. Então, nada de moleza! 


2 - Busque referências

Não se mude para um lugar sem saber como ele é. Como é o transporte público da região? E o comércio? É um setor seguro? Se você tem animais,vale verificar também se há espaços para que os animais possam passear. Isso será importante para avaliar se o valor do aluguel/ financiamento é justo ou não. 



3 - Dias de luta, dias de glórias


Um dos memes mais comuns diz respeito às expectativas de quem quer morar sozinho. Se você quer ter um cantinho para chamar de seu precisa ter ciência de que haverão dias que bolacha murcha pode ser banquete, que pagar conta é um mal necessário (porque tem dias que você vai querer comprar algo mas a conta de luz vai te impedir de fazer isso). Mas vão ter dias que pedir uma comida gostosa pelo IFood e ficar de pijama (ou pelada) na sua sala assistindo sua série favorita será seu programa favorito, seu momento de glória. 


4 - Planejamento financeiro é importante (mais do que você imagina!)


Aprender a lidar com as próprias finanças é fundamental para quem deseja viver só. Se você for do tipo desatenta, use aplicativos para programar o pagamento das contas, para separar o dinheiro para rolês. Aprenda também a separar um dinheiro para eventuais emergências - como consertar uma descarga, vazamento de gás, compra de remédios. Aprenda a fazer listas na hora de fazer as compras do mês. Isso te ajudará a evitar itens supérfluos. Na hora de pagar suas contas, verifique as faturas para ter certeza do que você vai pagar. De olho nas datas de vencimento para evitar pagamento em duplicidade ou pagamento em atraso. 

5 - Decoração não é frescura, nem luxo


Tem uma música do Biquini Cavadão que fala "a minha casa é meu reino". Nada mais justo que seu reino tenha a sua cara, certo? Não é errado nem supérfluo querer e ter um cantinho bonito, estiloso. Com base no seu orçamento, invista em decoração. Acredite: não há nada mais aconchegante e revigorante que chegar em casa e ver que tudo ali te representa. Se você precisar de inspiração, o Pinterest pode ser um aliado nessa hora #FicaaDica

Agora, me conte: você pretende morar sozinha por agora? Já mora sozinha? Como é a sua experiência? Conte aqui nos comentários! 

Boa semana, negada!

AnaLu Oliveira
@modadenegona

27 de jun de 2018

Greenleaf: a série em que somos ricos e poderosos

Salve salve, negada bacana do meu Brasil varonil! Tudo certo por aí? Dias atrás comecei a ver uma série tão maravilhosa, tão incrível que preciso compartilhar com vocês as minhas impressões sobre essa produção: GREENLEAF.


A série está na Netflix e tem como produtora executiva ninguém mais ninguém menos que OPRAH WINFREY. Só por isso vocês já podem imaginar que é coisa boa que vem por aí, neah? 



A história da série se passa na Igreja Calvary e traz um debate de extrema importância: como as religiões cristãs lidam com problemas contemporâneos. Feminismo, questões LGBT, sexualidade na adolescência, aborto, abuso sexual são alguns dos temas abordados nessa série que tem duas temporadas disponíveis. Só por isso, Greenleaf já é uma boa pedida. 



Mas não é só a narrativa que faz de Greenleaf uma série fodástica! Assim como em Pantera Negra, o elenco de Greenleaf é majoritariamente negro. Em Greenleaf não somos coadjuvantes,tampouco marginais - como muitas produções audiovisuais insistem em nos retratar. 

Em Greenleaf, os negros são líderes religiosos, empresários, chefes de família. A negritude em Greenleaf anda em carros de luxo, tem mansões suntuosas, poder de compra. E isso não é algo tão inédito nas telas. No post sobre Apeshit, falei muito sobre a ascensão econômica e financeira da população negra (e seu respectivo incômodo). Diferente de outras séries e obras de ficção, a ascensão social e financeira das famílias negras não é uma questão ou algo tratado como um diferencial. Greenleaf traz negros e negras que são muito mais que vítimas de racismo ou pessoas em situação de vulnerabilidade. São pessoas que tem as suas vidas, seus trabalhos, suas questões internas, suas lutas diárias. Afinal, somos muito mais que militantes contra o racismo. É bom nos ver em outros locais fora da militância. 


Olha esse elenco! Só gente lindona!

Vale destacar que Greenleaf é muito envolvente e maratoná-la é algo imprescindível! E você, já assistiu essa série? O que achou? Conte aqui nos comentários. 

Até mais, negada!

AnaLu Oliveira 

25 de jun de 2018

The Carters no Louvre e o incômodo que negros ricos causam na branquitude

Salve salve negada bacana, como vocês estão? Espero que todo mundo já tenha se recuperado do abalo que Beyoncé e Jay-Z causaram semana passada com o lançamento do primeiro clipe do novo álbum "Everything is love" - que está disponível nas plataformas digitais. O que vimos é que o clipe de Apeshit causou e não foi pouco. 


Muito mais que um clipe incrivelmente foda, Apeshit veio para reacender discussões importante. As críticas contidas nos versos da música deixam claro o questionamento sobre como a arte negra é vista e tratada nos mais variados cenários artísticos. O Louvre é o museu mais importante do mundo, mas as críticas vão além dele. Apeshit vem para deixar claro o posicionamento de dois artistas negros diante das inúmeras investidas para manter a arte negra na marginalidade. 



Nos museus, somos minoria e quando estamos, somos expostos como escravos ou como pessoas em situação de vulnerabilidade ou subserviência. Em algumas pinturas mostradas no clipe, existem pessoas negras pintadas sem rosto. Tente lembrar quantas vezes você viu algum artista plástico negro com alguma exposição em museu. Eu não consigo me lembrar. 


Quando o assunto é música negra e premiações, a situação piora já que vemos artistas negros com trabalhos incríveis no hip hop, R&B, Samba, perdendo espaço para artistas brancos. Lembra daquela artista que disse "essa vai pra quem é preconceituoso e acha que branco não pode tocar samba"? Ela não é a única sambista branca a ter um discurso racista. Para uns pode parecer ironia artistas brancos serem racistas, mas a bem da verdade a gente sabe que tem toda uma indústria que lucra com um ritmo de origem negra desde que o rosto que vá para a capa do cd não seja escuro. Não a toa que nos versos cantados por Jay-Z, ele diz


Premiações como o Grammy e o Oscar foram alvo de críticas e até protestos organizados por artistas e celebridades negras questionando o porquê de tantos prêmios para artistas brancos. No ano em que Lemonade chacoalhou as estruturas da indústria fonográfica e rendeu milhares de dólares, o Grammy foi entregue a uma artista branca. Artista esta que reconheceu que Beyoncé merecia o prêmio mais do que ela mesma. Não é a rentabilidade que nos tira o reconhecimento: é o racismo. 

O incômodo que a nossa riqueza causa

Quantas vezes você foi parada em algum lugar porque acharam que você era uma trabalhadora do local e não uma consumidora? E quantas vezes você viu rostos surpresos por dizer que não estava lá a trabalho e sim para consumir algo? Certeza que foram inúmeras. O corpo negro em espaços de consumo - sobretudo, grandes consumos - incomoda e não é pouco. 

Dois artistas negros com condições de alugar o maior e mais importante museu do mundo para gravar um clipe. Pior: um casal negro rico que vai ao Louvre para fazer tudo, menos exaltar as obras ali expostas. Vários formadores classificaram isso como um ato narcisista, compararam a iniciativa dos Carters com a de outros artistas brancos. Tentativas para minimizar e desvalorizar o belo trabalho feito ali. 

O racismo fala mais alto que as regras do capitalismo. Negros com dinheiro não são respeitados ou vistos como consumidores pois a lógica racista insiste em nos colocar em posição de submissão e subalternidade e as artes apenas reproduzem isso. Para nós, a vida não é uma imitação da arte. 

Aqui no Brasil, vários artistas negros foram vítimas de racismo. Emicida, Érico Braz, Taís Araújo, Cris Viana. Até Titi Gagliasso - uma criança de apenas 5 anos -  foi vítima de ataques racistas. A política do embranquecimento no Brasil é algo muito forte e resistir a isso é enfrentar um estruturado sistema. Basta ver a novela "Segundo Sol" - que se passa na cidade mais negra fora do continente africano e é composta por um elenco majoritariamente branco. 



Muito mais do que escancarar o racismo nos espaços artísticos, Apeshit é um desabafo de dois grandes artistas negros. Apeshit é mais uma prova de que a ascensão social, financeira e econômica da população negra incomoda muito! 

Nossa história não começou na escravidão. Somos muito mais que descendentes de pessoas escravizadas. Somos herdeiros de reinados, temos sangue real em nossas veias. Nosso cabelo é uma coroa de rainha! Não vamos aceitar menos do que isso. 
O recado tá dado!


E vocês, o que acharam do clipe de Apeshit? Conte aqui nos comentários e vamos ampliar nosso debate. 

Até mais, negada!
AnaLu Oliveira

15 de jun de 2018

Twitter do Poder: perfis para seguir agora!

Salve salve, negada! Tudo bem? Se tem uma rede social que eu amo é o Twitter. Melhor social EVER! Estou todos os dias por lá (inclusive sigam @modadenegona). 



Um tempo atrás,eu indiquei aqui alguns perfis bacanas no instagram e hoje é dia de enaltecer perfis de pessoas incríveis na rede social mais incrível desse mundo! Vamos lá?





Estudante de Ciências Sociais, a brasiliense Lorena Monique é conhecida na internet como Neggata. Ela tem um canal no Youtube e no Twitter, Neggata fala sobre negritude, questões pessoais e até mesmo sobre signos (assim como eu, Neggata também é libriana). 




Uma das colunistas mais incríveis da internet brasileira, Stephanie Ribeiro sempre traz seu ponto de vista sob as mais variadas questões envolvendo negritude, gênero e relações sociais. Além de escritora, Stephanie é arquiteta, possui uma coluna na revista Marie Claire - a Black Girl Magic - e escreve de maneira bastante clara, objetiva e envolvente. Adoro ler os textos e tweets dela! 




O perfil do Caio é um dos que eu mais curto no Twitter. Conhecido como Paquita Preta, Caio tem um conteúdo bastante versátil. Memes, questões lgbt, comunicação (Caio é publicitário), dentre outras coisas. Siga o Caio e seja feliz!




Assim como a Neggata, Luci também é youtuber e no Twtitter é a Sia Preta. Luci é gente como a gente e no Twitter ela fala sobre saúde mental, as dificuldades financeiras e também sobre questões ligadas a sua sexualidade. Carioca e canceriana, Luci é uma jovem de 20 anos que já viveu muita coisa. Ela é uma inspiração para todas nós!

E você, tem algum perfil no Twitter para indicar? Comenta aqui quem você curte por lá! 

Até mais!

AnaLu Oliveira

12 de jun de 2018

Dia dos Namorados e a importância de amar a si mesma

Salve salve, negada bacana! Como estão as coisas por aí? Hoje é 12 de junho, dia dos namorados e não, eu não quero falar sobre romance ou dar dicas de looks pra você curtir esse dia. O papo de hoje é sobre outro tipo de amor: o amor próprio. Depois de um período de 6 anos, este é o primeiro Dia dos Namorados que passo solteira. E é também o primeiro da vida que passo com a certeza de que o amor está presente na minha vida. 

Depois de dois relacionamentos abusivos e uma separação conturbada, eu aprendi a me amar e entendi que o amor vem de dentro para fora. Pode soar clichê, mas não é. O amor próprio é o que nos protege e nos torna prontas para relações saudáveis - sejam elas amorosas ou não. Para nós, mulheres negras, o amor próprio é também um ato de resistência. Amar nossos traços, nosso cabelo, nossa pele é dizer não para um sistema que insiste em nos apagar. 

Basta olhar ao redor e ver quem são as mocinhas amadas nas narrativas românticas. Brancas, magras, cabelo liso, olhos claros, meigas e indefesas, submissas e sofredoras. Depois de todo o sofrimento, eis que surge o galã que a resgata e vivem felizes para sempre. Para nós, muitas vezes, o que resta é o abandono - fruto da palmitagem e da hipersexualização dos nossos corpos. Nós merecemos muito mais do que isso. E cabe a nós mesmas dar esse primeiro passo: o do amor próprio.



Sobre o amor que tenho por mim

Demorei 3 décadas para aprender a me amar. Inúmeras vezes tentei ter cabelo liso. Um dos meus relacionamentos abusivos foi com um cara que sempre me criticava por ser comunicativa e extrovertida. Ele não foi o único a tentar me calar. Muitas vezes ouvi de outras pessoas que eu jamais me casaria por ser tagarela. Várias foram as vezes que tentei e até me odiei por ser quem sou. Porque tem toda uma sociedade dizendo que ser assim é errado, que você precisa estar ao lado de alguém para ser completa, para ser aceita, para isso para aquilo. Foi preciso passar por um casamento e por uma separação para ver que as coisas não são assim. Não é a tagarelice, não é o cabelo, não é se anular para ver o outro feliz. O amor não mora aí. O abuso e a infelicidade moram nesses gestos. Na crítica que te destrói, no silêncio da dor, na anulação de si mesma. Não devemos dar morada a essas coisas. 

Foi (e ainda tem sido) um processo doloroso porém necessário e revolucionário. Chegar hoje - na data em que mais se fala em romance, amor e sexo - em paz comigo mesma é algo inédito e muito bom! Eu sou incrível, interessante, bonita e merecedora de todo o afeto e amor do mundo por ser quem sou. Não mereço amor meia boca. Não mereço relações abusivas travestidas de amor. Não mereço príncipe encantado. Eu não salvo ninguém e não preciso de ninguém para me salvar. Se hoje eu consigo falar do amor que tenho por mim é porque eu me salvei. Eu sou minha heroína.



Esse post é pra você que ainda se vê presa em uma relação infeliz. Pra você que está solteira e acredita que só será feliz quando estiver com alguém. Pra você que acha que está solteira por ser uma pessoa cheia de defeitos e que precisa se adequar a padrões para ser amada.  Não é fácil se libertar de todas essas ideias opressoras, eu sei bem disso. Para mim, tem sido um processo diário. Cada dia é um dia novo para declarar meu amor próprio. E por isso quero que você se permita aos poucos viver e sentir esse amor. Ame essa pessoa incrível e maravilhosa: você! 


Aproveite esse Dia dos Namorados para curtir a sua própria companhia, não há nada de errado nisso. Afinal, quer companhia mais agradável que essa? Que tal estourar uma pipoca e maratonar aquela série que você está ansiosa para assistir? Ou ir para alguma balada com as migas solteiras e se divertir com elas? Comprar aquele livro que você quer muito ler e se dar de presente? Rupi Kaur em "Outros Jeitos de Usar a Boca" fala que

Você precisa começar um relacionamento consigo mesma antes de mais ninguém

Aproveite hoje para começar esse relacionamento consigo mesma! Se ame, se aceite e se respeite. Você merece amor. Seja a primeira a fazer isso por você! Cuide de si mesmaLembre-se sempre de que você merece ser amada. Seja a primeira a provar isso. Você é incrível, maravilhosa, dona da porra toda! Acima de tudo, você não precisa que outra pessoa te mostre isso ou te encha de amor. Todo o amor que você precisa está aí dentro. Permita-se sentir esse amor. 

Até mais!

AnaLu Oliveira

4 de jun de 2018

Dica de Negona: Geléia Capilar, da linha Seda Boom

Salve salve, negada bacana desse país chamado Brasil! Tudo bem? Promessa é dívida e hoje eu venho aqui cumprir um combinado que fizemos lá no insta (pelamooordedeus, se você não segue a gente por lá, só vai @modadenegona). Bora falar sobre a Geleia Capilar, da linha Seda Boom?


O que é a Geleia Capilar?

Ela foi desenvolvida pela Seda para garantir uma definição para cachos e é recomendado misturá-lo com o seu leave-in. Indicado para cabelos cacheados e também para cabelos crespos, a Geleia é liberada para quem faz low poo. A Geleia possui óleo de coco e D-Panthenol e o preço varia entre R$ 11,99 e R$ 14,99. O cheiro é bem suave e misturá-lo com o leave-in não compromete o aroma do seu cabelo. 


Minhas impressões 

Eu gostei da textura da geleia, pois ela não lembra aquela textura de gel. Além disso, ela rende bastante e por isso, não precisa aplicar uma quantidade grande no cabelo. Quando o cabelo seca, não fica com aspecto duro. Outra vantagem maravilhosa é o day after! Meus cachos ficam definidos e beeeem mais macios. 


É um daqueles produtos que quero sempre na minha penteadeira! Gostei muito e recomendo! E você, já usou essa geleia? Conte aqui a sua experiência. Ahhhh, não esquece de compartilhar com as migas que também querem ter os cachos mais definidos. 

Boa semana, negada!

AnaLu Oliveira

28 de mai de 2018

Um papo sincero (e necessário) sobre saúde mental

Salve salve, negada bacana! Semana passada, fiz uma enquete nos stories (segue lá @modadenegona) e como a voz do povo é a voz de Deus, vamos começar a falar aqui sobre um tema importante: saúde mental. De uns tempos pra cá, esse assunto tem sido tema de vários debates já que cada vez mais temos nos deparado com pessoas que sofrem com problemas ligados a saúde mental. Mas, afinal de contas: o que é saúde mental?



Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), saúde mental é um estado de bem-estar que permite o indivíduo usar suas próprias habilidades de maneira saudável, recuperar dos desafios e estresses do cotidiano e assim, contribuir com a sua própria comunidade. Ou seja, quando as pessoas conseguem lidar com o seu dia-a-dia de maneira que isso não lhe resulte algum transtorno ou algo ruim - mudanças de humor, ansiedade, crises de choro, entre outras coisas - significa que a saúde mental está bem. Mas, quando isso não acontece é preciso verificar quais são as causas dos problemas que afetam a saúde mental. 



Infelizmente, cuidar da saúde mental no Brasil ainda é algo cheio de estigmas e tabus. Isso faz com que muitas pessoas tenham receio de pedir ajuda ou buscar o tratamento adequado. Depressão não é apenas uma tristeza, ansiedade não é coisa de quem tá com a cabeça vazia, transtorno bipolar não é só mudar de humor bruscamente. São doenças que merecem o mesmo tratamento que se dá a qualquer outra doença. No Brasil, a OMS aponta que existem 23 milhões de pessoas com algum transtorno ligado a saúde mental e apenas 85% destas pessoas fazem o tratamento adequado. 

Saúde mental e racismo

Não podemos ignorar que o racismo é extremamente nocivo a nossa saúde mental. Em fevereiro, a revista TPM publicou uma reportagem com a psicóloga Maria Lúcia da Silva sobre a saúde mental do negro no Brasil. Para Maria Lúcia, não há dúvidas de que o racismo gera problemas de saúde mental e que isso ainda não é reconhecido por grande parte dos psicólogos brasileiros. Ela é fundadora do Instituto Amma Psique e Negritude, que atua em São Paulo. Na reportagem, Maria Lúcia fala que "não há um sujeito negro que não seja atravessado pelo racismo e que de alguma maneira, consciente ou não, vá viver efeitos produzidos pelo racismo". 

Não podemos (e nem devemos ignorar) que o racismo não é só um crime, ele também é um mal para a nossa saúde mental, resultando em vários transtornos ligados a nossa identidade, pertencimento e autoestima. 

Mas, como cuidar da nossa saúde mental? Para te ajudar neste processo, separei algumas dicas importantes.

1 - Não tenha medo de buscar ajuda

Como eu mencionei anteriormente, saúde mental está envolvida em muitos tabus. Ninguém nasceu para sofrer. Todo mundo merece ser feliz e merece ficar bem consigo mesmo. Você não é diferente! Se você tem percebido que algo não está te fazendo bem, procure ajuda para lidar com essa situação. Para muitas pessoas, a meditação auxilia bastante. Mas, existe outras formas de cuidar da sua saúde mental. A terapia é uma delas. Não tenha receio em procurar auxílio com terapeutas. Se você ainda não tem condições de pagar por esse tratamento, procure as faculdades de psicologia da sua cidade. Muitas delas oferecem terapia a baixo custo e até gratuitamente. 

2 - Busque profissionais de confiança

Tão importante quanto decidir cuidar da sua saúde mental é buscar um profissional de confiança. Procure com amigos e pessoas que já fizeram terapia ou tratamento psiquiátrico referências de profissionais. Isso é muito importante para o êxito da terapia: confiança entre paciente e terapeuta.

3 - Abrace o tratamento

Não pense que iniciar o tratamento te levará rapidamente a cura. Saúde mental, muitas vezes, envolve enfrentamentos dolorosos. Tenha consciência de que isso te levará a uma nova etapa, uma etapa melhor. Se você sente confiança em seu terapeuta (ou pela pessoa responsável pelo tratamento que você escolheu para si), cabe a você se dedicar ao tratamento. Seja pontual, seja honesto e sincero, não tenha medo de se abrir e de ouvir o que este profissional tem a dizer sobre o seu caso. 

4 - Tenha uma rede de apoio

Busque pessoas do seu ciclo que podem te dar o devido apoio neste momento. É importante ter pessoas que podem nos auxiliar em momentos delicados. Todos nós precisamos de ajuda em algum momento de nossas vidas. Saber quem são estas pessoas que podem nos ajudar nos fortalece. É também uma boa forma de mostrar para as pessoas do seu convívio qual é o seu problema e como lidar com a situação - seja com você ou com outras pessoas. 

5 - Afaste do que (e de quem) não te faz bem

Nem todas as pessoas que estão próximas a nós são pessoas que nos fazem bem. Podem ser pessoas muito próximas - como amigos e familiares - ou nem tão próximas assim - como colegas de trabalho, por exemplo. Procure formas de se proteger destas pessoas e se for possível, se afaste. Sabe aquelas pessoas que tentam minar a sua autoestima, que não te dão o apoio que você merece? Aquela pessoas que sempre minimizam as suas dores ou simplesmente, não respeita a sua luta? Mantenha essas pessoas o mais longe possível. 

Vale dizer aqui que cada uma destas dicas representam um passo que a gente dá quando diz sim para a saúde mental. Você não vai conseguir fazer todos de uma vez só e tá tudo bem. Respeitar o seu tempo também faz parte do processo. Cuidar de si é uma prova de amor. Amor por você mesma. 



"Você merece se encontrar completamente no seu ambiente, não se perder no meio dele", disse Rupi Kaur. Então, se encontre e se cuide! Se ame 💓💓

E você, como tem cuidado da sua saúde mental? Comenta aqui a sua experiência e compartilhe esse post com aquela amiga que precisa cuidar mais de si. 

Boa semana, negada!
AnaLu Oliveira
@modadenegona